sexta-feira, 13 de junho de 2014

Santo Antônio

Claudio Coello, A visão de Santo Antonio de Pádua, 1663
Hoje é Dia de Santo Antônio (de Pádua, de Lisboa, de Pemba), que nas festividades meramente profanas, abre o período das Festas Juninas, cujo ápice é no dia 24 de junho, dia de São João. Mas Santo Antônio (e São João), não são meros personagens de festividades que, a cada dia, perdem sua essência, tornando a sua única razão de existir a comercial.
Antônio, cujo real nome era Fernando, nasceu em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto de 1191, e faleceu em Pádua, Espanha, em 1231. Essas datas, como suas biografias e até mesmo seus pais, são propostas, isto é, não existem documentos que comprovem fidedignamente tais fatos. O que se sabe, são contos populares, tradições passadas oralmente a cada geração, que se tornaram fatos verídicos graças à crença das pessoas.

Sobre a vida pública de Antônio, isto é, a sua vida de religioso, muito coisa ficou registrada. Foi contemporâneo de São Francisco de Assis, inclusive assistiu a canonização do Santo em 1228, dois anos após a morte dele.

Foi um grande evangelizador e orador. Há uma lenda em que conta a evangelização de Santo Antônio em uma praia. Conforme o Santo fazia sua pregação, os peixes espicharam suas cabecinhas para fora da água para ouvi-lo. Se foi mesmo verdade, certamente os animais foram atraídos pelo magnetismo dele. E esse talento de frei franciscano Antônio era o responsável por arrebanhar multidões em seus sermões, tanto de pessoas simples quanto de clérigos de boa formação. Existe até mesmo uma coletânea com textos originais do Santo; trata-se de Sermões Dominicais e Festivos.

Mas nem tudo são belas histórias. Antônio, à sua época, recebeu a alcunha de Martelo dos Hereges, por ser implacável com os chamados hereges, que eram os não-cristãos, geralmente pessoas que jamais ouviram falar em Cristo e na religião fundada pelos homens. Essa antiquíssima violação de direitos todos conhecem, não é?

Antônio de Pádua foi muito além. Considerado alguém com grandes dons do Espírito Santo (ou, no nosso atual entendimento, um extraordinário Médium), os conhecimentos religiosos e acadêmicos de Antônio também estavam muito acima do comum à época, sendo um verdadeiro intelectual:


Além de um conhecimento detalhado da Bíblia, dos escritos dos Padres da Igreja e outros escritores cristãos, são encontradas citações de clássicos como Aristóteles, Cícero, Catão, Sócrates, Dioscórides, Donato, Eliano, Escribônio, Euquério de Lião, Festo Solino, Filão de Alexandria, Tibulo, Sérvio, Públio Siro, Juvenal, Plínio, o Velho, Varrão, Sêneca, Flávio Josefo, Horácio, Ovídio, Lucano e Terêncio. Seu conhecimento das ciências naturais ultrapassa em muito o currículo regular das artes liberais medievais, aprofundando-se em áreas como a medicina, a física, a história natural, a cosmografia, mineralogia, zoologia, botânica, astronomia e óptica.

Nas palavras de José Antunes, “Santo Antônio de Lisboa, embora muito festejado e venerado como santo pelo povo, é menos conhecido como um homem de cultura literária invulgar e como um verdadeiro intelectual da Idade Média. Reveladora dessa cultura ímpar, é a sua obra escrita, cheia de beleza e densidade de pensamento, como nos testemunham os seus Sermões, autênticos tesouros da Literatura e da História. Vasta, profunda, extraordinária, a respeito da Sagrada Escritura. Ampla, variada e bem apropriada nas transcrições dos Padres da Igreja e dos Autores Clássicos. Impressionante, para o tempo, não apenas pelo conhecimento que revela das ciências naturais e das humanidades, mas igualmente pelo erudito discurso sobre noções jurídicas, como Poder, Direito e Justiça”.
Certamente, um grande Espírito de escol!

Para saber mais detalhes sobre a vida deste santo, acesse o blog Matéria Astral e Sacrifício Vivo e Santo.

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